
O regime híbrido, nome popular da opção do optante pelo Simples Nacional por recolher o IBS e a CBS pelo regime regular, foi escolhido por mais de um milhão de contribuintes até o fim de outubro de 2026. Quem fez essa escolha às pressas, sem simulação, ainda pode voltar atrás: o cancelamento da opção pode ser pedido de 3 de novembro a 20 de dezembro de 2026. Este guia mostra como desistir do regime híbrido, o que conferir antes de decidir e por que a decisão precisa ser tomada com números, e não com medo do prazo.
Resumo
- O que é: o regime híbrido permite que a empresa continue no Simples Nacional, mas apure e recolha o IBS e a CBS fora do DAS, pelo regime regular, com débitos e créditos.
- Prazo de opção encerrado: a opção para o primeiro semestre de 2027 terminou em 30 de outubro de 2026 e não foi prorrogada, segundo a Receita Federal.
- Janela de cancelamento: de 3 de novembro a 20 de dezembro de 2026, conforme a Resolução CGSN nº 194/2026, divulgada pelo Comitê Gestor do IBS e pela Receita Federal.
- Atenção ao calendário: 20 de dezembro de 2026 cai em um domingo. Recomendamos concluir o pedido até sexta-feira, 18 de dezembro.
- Quem não cancelar: fica no regime híbrido a partir de 1º de janeiro de 2027, e a próxima janela para mudar de posição é março de 2027, com efeitos no segundo semestre.
- Como decidir: comparar o perfil dos clientes, o volume de créditos nas compras, o impacto no caixa e o custo de conformidade.
O que é o regime híbrido e por que tanta gente optou
A Lei Complementar nº 214/2025, no art. 41, § 3º, permite que o optante pelo Simples Nacional escolha apurar o IBS e a CBS pelo regime regular. Na prática, a empresa continua pagando o DAS para os demais tributos, mas o IBS e a CBS saem da guia única e passam a ser apurados como nas empresas do Lucro Presumido ou do Lucro Real: débito nas vendas, crédito nas compras. Essa combinação ganhou o apelido de regime híbrido.
A Lei Complementar nº 123/2006, com a redação dada pela LC 227/2026, prevê no art. 13 que essa opção é feita por semestre, para os períodos iniciados em janeiro e em julho. O texto oficial está no Planalto, Lei Complementar nº 123/2006, e a base da opção está na Lei Complementar nº 214/2025.
O motivo de tanta adesão é comercial. Segundo o art. 47, § 9º, da LC 214/2025, quando o fornecedor recolhe o IBS e a CBS dentro do Simples, o cliente do regime regular apropria crédito apenas no montante equivalente ao que foi pago pelo Simples. Muitos empresários temeram perder clientes por gerar crédito menor e entraram no regime híbrido para oferecer crédito integral. Explicamos essa regra em detalhe no artigo sobre fornecedor do Simples e crédito de IBS e CBS.
A Receita Federal informou em 29 de outubro de 2026 que 1.000.142 contribuintes já haviam optado pelo regime regular do IBS e da CBS, e reforçou que o prazo de 30 de outubro não seria prorrogado. A mesma notícia lembra que quem quiser reconsiderar pode cancelar a opção até 20 de dezembro de 2026. Fonte: Receita Federal, 29/10/2026.
Prazos do regime híbrido para 2027
O Comitê Gestor do IBS publicou um quadro que separa duas decisões diferentes, que costumam ser confundidas: o ingresso no Simples Nacional e a opção pelo regime híbrido. As datas abaixo seguem esse quadro, baseado na Resolução CGSN nº 194/2026. Fonte: CGIBS, prazos de opção para 2027.
| Decisão | Período de solicitação | Cancelamento | Efeitos |
|---|---|---|---|
| Ingresso ou retorno ao Simples Nacional | 1º/09/2026 a 15/10/2026 | 3/11/2026 a 20/12/2026 | 1º/01/2027 |
| Regime híbrido (IBS e CBS pelo regime regular) | 1º/09/2026 a 30/10/2026 | 3/11/2026 a 20/12/2026 | 1º/01/2027, para janeiro a junho de 2027 |
Repare que a janela de cancelamento é a mesma para as duas decisões, mas os pedidos são distintos. Cancelar o regime híbrido não tira a empresa do Simples Nacional. E cancelar o pedido de ingresso no Simples é outra providência, com outras consequências, que só deve ser tomada depois de um estudo de regime tributário completo.
Como cancelar o regime híbrido passo a passo
A opção e a renúncia ao regime regular do IBS e da CBS são feitas no serviço oficial “Escolher regime de apuração do IBS e da CBS”. A página do serviço informa que o atendimento é imediato, que o acesso exige conta gov.br nível prata ou ouro e que é possível cancelar uma solicitação desde que dentro do prazo estabelecido em norma. Fonte: gov.br, Escolher regime de apuração do IBS e da CBS.
- Confirme o acesso. O responsável legal precisa de conta gov.br prata ou ouro, ou o contador deve ter acesso delegado, quando o serviço permitir.
- Consulte o histórico. No próprio canal, verifique a data e o teor da opção feita até 30 de outubro. Guarde a tela do histórico.
- Aguarde a abertura da janela. O cancelamento do regime híbrido só pode ser pedido a partir de 3 de novembro de 2026.
- Registre o cancelamento. No canal web consumo.tributos.gov.br/servico/regime-ibs-cbs, selecione a solicitação e peça o cancelamento.
- Guarde o comprovante. Salve o recibo com data e hora. Ele é a sua prova caso surja divergência em 2027.
- Confira de novo no histórico. Depois de alguns dias, verifique se a situação aparece como cancelada.
- Avise o seu sistema e os seus clientes. O cadastro fiscal do ERP e o emissor de notas precisam refletir que a empresa recolherá o IBS e a CBS dentro do DAS.
Como 20 de dezembro de 2026 cai em um domingo e nenhuma norma prevê prorrogação, a nossa recomendação é tratar 18 de dezembro, sexta-feira, como data limite prática. Instabilidade de sistema na última hora não costuma ser aceita como justificativa.
Quando vale manter o regime híbrido
O regime híbrido não é bom nem ruim em si. Ele faz sentido quando a empresa ganha mais com o crédito integral que oferece ao cliente do que perde com a apuração mais complexa e com o recolhimento fora do DAS. Em geral, há bons motivos para manter a opção quando:
- A maior parte do faturamento vem de empresas do regime regular, que valorizam o crédito integral de IBS e CBS e já pedem isso nas negociações.
- As compras geram muito crédito, como insumos, mercadorias para revenda, serviços de terceiros e bens do ativo, o que reduz o valor efetivo a recolher.
- A empresa já opera com ERP integrado, cadastro fiscal revisado, classificação correta de cada item e emissão de notas com destaque do IBS e da CBS.
- Há rotina de conciliação mensal entre notas emitidas, notas recebidas e apuração, feita por contabilidade com controle de qualidade.
- O caixa suporta a mudança na forma de pagamento, sem depender do prazo curto entre faturamento e vencimento.
Um exemplo típico é a indústria pequena ou a distribuidora que vende quase tudo para empresas maiores. Nesse caso, sair do regime híbrido pode significar perder margem na negociação, porque o comprador passa a receber crédito menor.
Quando faz sentido cancelar o regime híbrido
Do outro lado, há perfis em que o regime híbrido tende a custar mais do que entrega. Vale considerar o cancelamento quando:
- A empresa vende principalmente para consumidor final, pessoa física, ou para outras empresas do Simples. Esses clientes não aproveitam crédito integral, e a vantagem comercial desaparece.
- As compras geram pouco crédito, como em serviços intensivos em mão de obra. A folha de salários não gera crédito de IBS e CBS, e o débito sobre a venda fica quase inteiro.
- O sistema não está pronto para destacar o IBS e a CBS corretamente, classificar cada item e conciliar débitos e créditos todos os meses.
- A decisão foi tomada sem simulação, apenas para não perder o prazo de 30 de outubro, ou por receio genérico de perder clientes.
- O custo de conformidade é alto para o porte, incluindo horas da equipe, software e honorários adicionais de apuração.
Um exemplo típico é a oficina mecânica que atende principalmente motoristas pessoa física. A oficina compra peças, mas grande parte do valor do serviço é mão de obra, e os clientes não tomam crédito. O regime híbrido, nesse caso, aumenta o trabalho sem trazer ganho comercial claro.
Regime híbrido e obrigações acessórias: o custo que não aparece na alíquota
Muitas simulações comparam apenas a carga tributária. Esse é o erro mais comum. Quem fica no regime híbrido passa a ter rotina própria de apuração do IBS e da CBS, com conferência de débitos e créditos, acompanhamento da apuração assistida e atenção redobrada à qualidade das notas fiscais.
Para empresas de setores com regime específico, a diferença é ainda maior. Segundo as perguntas frequentes oficiais da DeRE, as empresas do Simples Nacional estão dispensadas da declaração, exceto se optarem pelo regime regular de IBS e CBS ou excederem o sublimite. Fonte: Receita Federal, perguntas frequentes da DeRE. Para corretoras, administradoras e outras atividades alcançadas pela DeRE, o regime híbrido pode significar uma obrigação acessória nova e complexa. Detalhamos os prazos no artigo sobre o prazo da DeRE.
A trava do ressarcimento ao sair do regime híbrido depois
O art. 41, § 5º, da LC 214/2025 veda a saída do regime regular para quem obteve ressarcimento de créditos no ano corrente ou no ano anterior. Hoje, antes de 1º de janeiro de 2027, o regime híbrido ainda não produziu efeitos e não houve ressarcimento. Por isso, a janela de novembro e dezembro de 2026 é o momento mais limpo para desistir.
Depois que a empresa começar a apurar créditos e pedir ressarcimento, sair do regime híbrido pode ficar travado por até dois anos. Essa é mais uma razão para decidir agora, com calma e com números, em vez de empurrar a dúvida para 2027.
O que acontece se a empresa não cancelar o regime híbrido
Quem não pedir o cancelamento até 20 de dezembro de 2026 começa 2027 no regime híbrido. A partir de janeiro, o IBS e a CBS deixam de ser recolhidos no DAS e passam a ser apurados pelo regime regular. A opção não precisa ser renovada a cada semestre: a empresa permanece nessa condição até formalizar a renúncia em uma das janelas previstas.
Segundo o Serpro, empresa pública responsável pela tecnologia do serviço, as janelas de opção e de renúncia passam a ocorrer em março e em setembro. Quem aderiu em 2026 poderá pedir a renúncia em março de 2027, com efeitos no segundo semestre. Fonte: Serpro, opção pelo Simples híbrido, 29/09/2026. Na prática, quem errou e não cancelar agora ficará pelo menos seis meses no regime híbrido.
Checklist de decisão do regime híbrido em 7 perguntas
Antes de pedir o cancelamento, ou de confirmar a permanência, responda a estas perguntas com dados dos últimos doze meses:
- Qual percentual do faturamento vem de empresas do regime regular que tomam crédito?
- Algum cliente relevante já pediu, por escrito, nota com crédito integral de IBS e CBS?
- Qual parte das compras gera crédito, e qual parte é folha de salários e despesas sem crédito?
- O ERP destaca o IBS e a CBS corretamente e classifica cada item com o código certo?
- A empresa está em atividade alcançada pela DeRE ou por outro regime específico?
- O caixa suporta a mudança na forma e no momento do recolhimento?
- Quanto custa, por mês, a rotina adicional de apuração e conferência?
Se a resposta da primeira pergunta for baixa e a da terceira indicar pouco crédito, o regime híbrido tende a não compensar. Se os clientes forem majoritariamente empresas do regime regular e houver muito crédito nas compras, manter a opção pode proteger a margem. Nos casos intermediários, a resposta só aparece com simulação mês a mês.
Comparativo: Simples puro e regime híbrido
| Aspecto | Simples puro (IBS e CBS no DAS) | Regime híbrido (IBS e CBS no regime regular) |
|---|---|---|
| Recolhimento do IBS e da CBS | Dentro do DAS | Apuração própria, fora do DAS |
| Crédito para o cliente do regime regular | Equivalente ao valor pago pelo Simples (LC 214/2025, art. 47, § 9º) | Crédito integral do valor destacado |
| Crédito nas compras da própria empresa | Não apropria créditos de IBS e CBS | Apropria créditos nas aquisições |
| Complexidade operacional | Menor | Maior: apuração, conciliação e conferência mensal |
| DeRE, quando a atividade é alcançada | Dispensada | Obrigatória |
| Saída futura | Opção nas janelas previstas | Renúncia nas janelas previstas, com trava se houver ressarcimento |
Erros comuns na hora de cancelar o regime híbrido
- Confundir os pedidos. Cancelar o pedido de ingresso no Simples Nacional, em vez de cancelar apenas o regime híbrido, pode levar a empresa para o Lucro Presumido sem planejamento.
- Deixar para o último dia. O último dia da janela é domingo. Sistemas oficiais costumam ficar lentos perto do fim dos prazos.
- Não guardar comprovante. Sem recibo, a empresa fica sem prova em caso de divergência no início de 2027.
- Esquecer de avisar o cliente. Se a empresa prometeu crédito integral em contrato, o cancelamento precisa ser comunicado e, se for o caso, renegociado.
- Não ajustar o ERP. O cadastro precisa voltar ao padrão do Simples para o IBS e a CBS a partir de janeiro.
- Decidir pela intuição. Tanto ficar quanto sair do regime híbrido sem simulação é um risco evitável.
Perguntas frequentes sobre o regime híbrido
Até quando posso cancelar o regime híbrido?
De 3 de novembro a 20 de dezembro de 2026, conforme o quadro do Comitê Gestor do IBS baseado na Resolução CGSN nº 194/2026. Como o dia 20 é domingo, recomendamos concluir até 18 de dezembro.
Cancelar o regime híbrido tira a minha empresa do Simples Nacional?
Não. O cancelamento do regime híbrido apenas devolve o IBS e a CBS ao DAS. A permanência no Simples Nacional é outra decisão, com pedido próprio.
Preciso justificar o cancelamento?
A página oficial do serviço não pede justificativa: informa apenas que é possível cancelar a solicitação dentro do prazo estabelecido em norma. Mesmo assim, documente internamente a análise que levou à decisão.
Se eu cancelar agora, posso voltar ao regime híbrido em 2027?
Sim, nas janelas previstas. Segundo o Serpro, a opção feita em março de 2027 produz efeitos no segundo semestre de 2027.
E se eu não fizer nada?
A empresa começa 2027 no regime híbrido e permanece nele até pedir a renúncia em uma das janelas, a primeira delas em março de 2027, com efeitos a partir do segundo semestre.
Quem faz o pedido, o empresário ou o contador?
Qualquer um dos dois, desde que tenha acesso válido: conta gov.br prata ou ouro do responsável, ou acesso delegado ao contador, quando o serviço permitir.
O regime híbrido muda a alíquota do Simples Nacional?
O regime híbrido retira do DAS a parcela relativa ao IBS e à CBS, que passa a ser apurada pelo regime regular. Os demais tributos seguem no DAS, conforme o anexo da atividade.
Quantas empresas estão no regime híbrido?
Até 29 de outubro de 2026, a Receita Federal contava 1.000.142 opções pelo regime regular do IBS e da CBS. O número pode incluir outros públicos autorizados a optar, como produtores rurais e nanoempreendedores, e não apenas os optantes pelo Simples Nacional.
Como a Quatro ajuda na decisão do regime híbrido
A Quatro Gestão faz a simulação mês a mês do regime híbrido contra o Simples puro, com base nas notas emitidas e recebidas dos últimos doze meses, no perfil real dos clientes e no custo de conformidade. Entregamos um parecer objetivo: manter ou cancelar, com o impacto em reais e o passo a passo do pedido.
- Conheça o nosso serviço de planejamento tributário, com comparativo de regimes para 2027.
- Veja o resumo dos prazos da Resolução CGSN 194.
- Entenda o crédito gerado por quem compra de um fornecedor do Simples.
Fontes oficiais
- Receita Federal, notícia de 29/10/2026
- Comitê Gestor do IBS, prazos de opção para 2027
- gov.br, serviço Escolher regime de apuração do IBS e da CBS
- Lei Complementar nº 214/2025
- Lei Complementar nº 123/2006
- Receita Federal, perguntas frequentes da DeRE
- Serpro, opção pelo Simples híbrido
Cristiano Cerqueira, Contador | Controller
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